de dia
Há alturas em que somos de tal forma surpreendidos com o rumo das coisas à nossa volta, que parece que ficamos num estado anestésico à espera que tudo se resolva, que tudo passe.
Longe vai o tempo dos pesadelos nocturnos. Agora acontecem de dia, são reais e não desaparecem ao acordar.
12.1.10
29.9.09
um ano depois...
Achamos que, convivendo com a ideia, nos vamos preparando para o momento em que tudo acontece.
Vamos criando barreiras, erguendo muros, repetindo vezes sem conta que, mais dia menos dia, chega a hora, tudo acaba e já estamos preparados. Mas não estamos.
Não sabemos o que sentir, o que dizer, como pensar. A ideia de "nunca mais" é demasiado concreta, demasiado específica para ser contornada com soluções de encaixe.
E o que nos resta? As memórias? A saudade? A desilusão de nos sabermos num mundo em que a maioria acredita em deuses que não se manifestam a favor dos que merecem?
Resta-nos a sensação de impotência, própria dos mortais. Resta-nos uma vontade imensa de vociferar contra tudo o que é progresso... tão incapaz de salvar uma vida que tinha ainda muito para dar.
7.9.09
lixo
Ha coisas que, simplesmente, não se entendem... por isso, o melhor é mesmo deitá-las fora de vez.
A paciência é um bem escasso e estamos em tempo de crise.
13.8.09
basta ser... ou será bastante?
Se somos.. e se nos basta sermos...
Será que basta que nos bastemos para ser?
Ou será bastante que sejamos tanto se bastaria que fôssemos apenas seres?
28.7.09
resposta
"O segredo da existência humana reside não só em viver mas também em saber para que se vive".
Dostoievski
20.7.09
margem
De pés descalços e pele tisnada pelo sol, ele percorreu cada grão de areia com um punhado de ideias na cabeça e as mãos cheias de coisas nenhuma.
Fitou a linha do horizonte - tão plana quanto os últimos dias - e viu ao longe um barco pesqueiro que lhe pareceu ser o porto de abrigo mais seguro naquele temporal de emoções que se avolumavam à velocidade com que as ondas apartavam na orla daquela praia deserta.
Num laivo de fantasia, de desespero, de esperança... percorreu o mar com o olhar em busca de uma mensagem - mesmo que a garrafa já estivesse fora de moda -, de um qualquer sinal do caminho a seguir, de uma pequena orientação sem bússola, sem paradeiro, mas com um fim...
Era um náufrago na sua própria vida. Um passageiro perdido em marés de gente que partiu e não voltou. Um marinheiro sem cais. Simplesmente um homem.
14.7.09
porquê?
Onde estão os devaneios de criança que nos ocupavam as tardes com personagens fictícias, enredos harmoniosos e frenesis incontroláveis?
Quando foi que caímos do trapézio sem rede para nos amparar? Quando foi que descobrimos a lei da gravidade e a gravidade da lei?
Quem foi que nos ensinou a questionar - muito para além dos "porquês" - todas as coisas do mundo? Quem foi que nos contou a verdade? Quem nos enganou?
Estamos tão presos a tantas perguntas que nos esquecemos da liberdade que temos para sentir, à margem de qualquer regra, aquilo que nos aprouver. Estamos tão preenchidos de ideias que nos sentimos vazios só pela falta de um gesto.
Gastamos tantas palavras que nos esquecemos que o silêncio pode dar respostas. Como da primeira vez. Como se fosse a última. Como nós quisersmos, se quisermos, se pudermos.
Onde estão os devaneios de criança que nos ocupavam as tardes com personagens fictícias, enredos harmoniosos e frenesis incontroláveis?
Quando foi que caímos do trapézio sem rede para nos amparar? Quando foi que descobrimos a lei da gravidade e a gravidade da lei?
Quem foi que nos ensinou a questionar - muito para além dos "porquês" - todas as coisas do mundo? Quem foi que nos contou a verdade? Quem nos enganou?
Estamos tão presos a tantas perguntas que nos esquecemos da liberdade que temos para sentir, à margem de qualquer regra, aquilo que nos aprouver. Estamos tão preenchidos de ideias que nos sentimos vazios só pela falta de um gesto.
Gastamos tantas palavras que nos esquecemos que o silêncio pode dar respostas. Como da primeira vez. Como se fosse a última. Como nós quisersmos, se quisermos, se pudermos.
